Os textos de yoga que se consideram clássicos são Yoga-sutra Patanjali, Hatha-yoga Pradipika, Shiva-samhita, Gheranda-samhita.
Hoje queria falar sobre o texto geral de yoga.

O texto geral de yoga é Yoga-sutra Patanjali – III a.C. Tais textos como a Sutra são para serem decorados, estes textos são caracterizados da seguinte maneira: têm uma gramática especial e explicam as coisas duma maneira curta usando muitas vezes os aforismos e falam dum modo figurado. Não prestando atenção à difículdade de entendimento do texto, Patanjali mostrou que na realidade o yoga é metódico, científico e estudável. Os textos destes géneros são mais parecidos com notas onde uma pessoa escreve os seus pensamentos para si próprio. As sutras são como raízes de árvores, são a base da disciplina filosófica, enquanto o caule e os ramos são diferentes comentários sem os quais é impossível perceber o texto. Os comentários para os sutras são assinalados com a palavra de sanskrito Bhashya, esta palavra traduz-se como conversa, conversa sobre sutras. Para yoga-sutras Patanjali há alguns comentários, dois do quais são os mais antigos e prestigiosos, são: “Vyasa Bhashya” século X d.C. e comentários de Gurudjaradji “Yoga Matanga” século V d.C.
Patanjali fala sobre noções de yoga e dá uma definição de psicologia humana योग: चित्त-वृत्तिनिरोध: yogaścitta-vṛtti-nirodhaḥ (Yoga – é o refreamento de preocupações, que são característicos para a mente).
Os nossos acontecimentos psicológicos são diversos. E toda a nossa vida é uma sequencia de acontecimentos psicológicos. Patanjali propõe dividi-los em cinco componentes. Quando, nos textos de vedas, se encontra o número cinco, este número significa dois pares que são contrapostos um para o outro e para sí próprios e existe um quinto componente que une estes dois pares.
Paramana(Conhecimento correto) e Viparyaya (Erro). Estes dois pares descrevem um aspeto de grande conteúdo, da nossa existencia. Um entendimento certo e errado da pergunta. Nidra(Sonho sem processo de pensamento) e Smriti (Memória)- capacidade de retirar, imagens e acontecimentos do passado, da consciência. E Vikalpa- capacidade de usar sinais linguísticos e sinais de imagens, capacidade de explicar as coisas com a ajuda de outras e a capacidade de imaginar e pensar. Esta é a quinta palavra que une a Paramana e Viparya, esta palavra não tem característica de tempo e também não tem o Nidran e o Smiriti que têm limites de tempo.
O Yoga é a capacidade de controlar todos os aspetos da psicologia. Um yogue, observando os acontecimentos psicológicos mantêm se imparcial e assemelha-se ao Purushi – observador do universo. Um yogue perde a ambição para as gunas de natureza material. As gunas de natureza material são – Sattva, Rajas e Tamas (benignidade, paixões e ignorância). A prática de Abhyasa liberta a pessoa de «sementes» de carma e de impressões que foram deixadas na psicologia da pessoa, e estas impressões formam, no futuro, a percepção do mundo e a tendência as reações aos acontecimentos físicos e psicológicos.
A forma manifesta de Deus é mantra OM. A cosiência concentrada nesta sílaba liberta-se da natureza material.
As cinco Kleshas são sombrias, que perturbam durante o caminho para Samadhi – objetivo final de yoga.
Avidya – ignorância
Asmira – sentido de auto-preservação
Raga – inclinação ou afeição
Dvesha – repugnância
Abhinivesha – medo da morte
Tal como as cinco atrás, aqui há dois pares e um quinto elemento que os une. Neste caso a Avidya une dois pares que são a Inclinação e a Repugnância (Raga e Dvesha) e Sentido de auto preservação num sentido positivo e medo da morte, num sentido negativo (Asmira e Abhinivesha)
Enquanto a vossa consciência está sombria, dela nascem novos sinais de carma que faz com que aparecam novas experiências de morte e nascimento. Contra as mudanças de vidas constantes, o Patanjali propõe oito fases em yoga, que conduzem à libertação das transfigurações e ofuscação da mente.
Yama – cumprir as regras morais que por sua vez são compostos por quatro componentes.
Ahisma – não à violência
Satya – ser verdadeiro
Asteya – não roubar
Brahmacharya – abstinência
Aparigraha – sem afeto
Niyama – cumprir regras sociais
Shautcha – limpeza do corpo
Sattva-shudhi – caratér limpo
Santosha – satisfação
Tapas – autodisciplina
Svadhyaya – autoeducação
Ishvara-pranidhana-aceitação de Ishvara. Ishvara, nos textos de yoga de Shiva, quer dizer-Shiva, e é considerada a criatura máxima. Mas no Bhagavat Gita-texto de Vayshava, o Krishna diz ao Ardjuna: “Eu sou Ishvara”.
Asana-uma posição que um yogue faz bem e sem tensão.
Pranayama – controlo da respiração.
Dharana – controlo dos órgãos dos sentidos.
Pratyahara – distração dos sentidos em contacto com os objetos.
Dhyana – meditação (atividade psicológica interna que lentamente vai até samadhi)
Samadhi – estado de superconsciência, estado de pacificação, é a consciência bem-aventurada na sua verdadeira natureza.

